Adultos TDAH

Adultos TDAH

É natural que algumas crianças pareçam ter um estoque vitalício de energia. Não param quietas. Alternam variadas atividades. Possuem dificuldades para reter informações e, geralmente, são estabanadas. Injustamente são julgadas “criança problema”.

No entanto, elas também podem ser desatentas e dispersas. Talvez por estarem perdidas em distrações. Ou por olharem tudo ao seu redor, sem conseguir focar em quase nada.

Frequentemente viajam no tempo e na maionese. Se desligam do mundo terrestre e partem para uma jornada dentro de suas próprias cabeças.

No mundo da lua

Ao longo do crescimento, parte dessas crianças apresentam certos graus de dificuldade no aprendizado. Seus níveis de desatenção, impulsividade e hiperatividade podem aumentar drasticamente, causando prejuízos para sua saúde física e mental.

Quando chegam à fase adulta, abandonam a vida acadêmica e mudam constantemente de emprego. Incessantemente buscam por novos estímulos. Possuem intolerância a monotonia e situações repetitivas.

Na maiorias dos casos, apresentam dificuldades para expressar suas ideias e colocar em prática o que está passando em suas mentes.

São mais propensos a se envolverem em acidentes de trânsito. São mais suscetíveis aos vícios, abuso do álcool e outras drogas.

Podem ter dificuldades nas relações interpessoais, relacionamentos instáveis.

Saiba que, esses comportamentos podem indicar um transtorno.

Caso não diagnosticado e tratado corretamente, essas e outras situações podem ser fatais para a vida de um TDAH.

Entenda o distúrbio

Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas e fatores culturais.

Caracterizado por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele também é chamado de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).

É reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo um dos transtornos mais comuns, acomete cerca de 3% a 5% dos pequenos.

Cientistas descobriram que o TDAH também pode ser desenvolvido na adolescência e fase adulta. Os dados de pesquisas são:

• Estima-se que 3% dos adultos apresentam o TDAH.

• 87% dos jovens com TDAH não tinham o problema quando pequenos.

• 90% dos indivíduos diagnosticados com TDAH não havia sido uma criança distraída e inquieta.

Disponível em:

Perguntas mais frequentes e suas respostas

TDAH na adolescência e na fase adulta

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Como o TDAH age no cérebro?

Um centro de referência em neurologia postou que esse transtorno não é um mau funcionamento no cérebro, mas sim uma forma diferente de agir.

As conexões entre os neurônios (sinapses), tornam-se menos efetivas levando aos circuitos cerebrais, respostas inadequadas a diferentes situações. Especialmente naquilo que se chama de funções executivas, ou seja, na capacidade de operacionalizar as respostas adequadas ao estímulo.

Por exemplo, responder no momento apropriado, esperar a sua vez, impulsividade nos atos, capacidade de atenção.

Em nota, o Blog Cognitivo, traz outras áreas afetadas por esse transtorno.

Foco e concentração; regulação emocional; organização; planejamento; iniciativa e persistência; capacidade de solucionar problemas; gerenciamento de tempo.

Outra característica do TDAH é a insubordinação diante de ordens e regras. Pessoas com esse quadro tendem a agir sem pensar nas consequências e costumam apresentar temperamento explosivo.

Outros problemas decorrentes dessa condição clínica são: frequente procrastinação; instabilidade de humor; déficit na autoestima; sentimentos de culpa e raiva; isolamento social; autossabotagem; comportamentos e atitudes de risco.

Menos rótulos e Mais compreensão

Um dos trechos importantes do conteúdo é o que retrata as consequências do velho preconceito e também do pré conceito.

O blog diz que, em razão dos rótulos recebidos ao longo da vida, o indivíduo com TDAH é guiado por dificuldades interpessoais e expectativas de fracasso.

Em geral, o indício que se destaca é a desatenção. Quando não diagnosticada, a pessoa pode ser julgada como “preguiçosa” e “desinteressada”.

Esse comportamento social é prejudicial à autoestima e à autoconfiança, pois leva o indivíduo a acreditar que tais defeitos são parte de sua personalidade.

Outro ponto evidente é a necessidade constante de receber estímulos e manter-se ativo e envolvido em algo novo. Isso ocorre porque pessoas com TDAH têm sérias dificuldades para preservar o interesse por muito tempo.

Os resultados disso são a troca frequente de empregos, a instabilidade nos relacionamentos, a falta de persistência para alcançar objetivos, a má gestão financeira, entre outros problemas.

A página Vamos falar de TDAH?, também levantou os malefícios dos rótulos.

“Antes de rotular uma pessoa que tem algum transtorno (independente de ser TDAH ou não), lembre-se que estamos lidando com pessoas e elas são dotadas de qualidades e pontos de melhoria, paralelamente.”

“Um transtorno não deve rotular ninguém, então não feche sua cabeça para descobrir o que de bom cada um traz consigo.”

Disponível em:

Dúvidas sobre TDAH: causas, sintomas e tratamento

Como é possível lidar com adultos com TDAH?

Pontos positivos de TDAH

Palavras de uma TDAH

Em um vídeo numa plataforma de conteúdo, uma especialista em TDAH alerta que grande parte dos adultos pode ter esse transtorno e nem saber disso.

Ela também é um adulto TDAH e inicia o vídeo com um questionamento. Para que possamos tentar imaginar como é crescer se sentindo diferente, não se encaixar nos padrões, sentir que não é pertencente a este mundo.

Ser criticado e taxado como desorganizado, preguiçoso.

A especialista diz que essa disfunção é mais fácil ser diagnosticada na infância, e quando isso não é feito, a pessoa cresce se acostumando com esse comportamento, com essa personalidade.

E quando chega à vida adulta, a pessoa acaba acostumando com essas características e pensa que isso faz parte de sua personalidade.

No entanto, a profissional diz que, quando o diagnóstico não é realizado, o DDA pode se manifestar como depressão, ansiedade, síndrome do pensamento acelerado, insônia, compulsões.

Ela ainda toma um exemplo para mostrar como esse transtorno pode estar arraigado no íntimo do indivíduo.

A educadora discorre sobre a falta de atenção. Relata que, a partir da desatenção, a pessoa com TDAH, pode desenvolver Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

“São ferramentas que a sua mente desenvolve para que você consiga lidar com esse transtorno silencioso.”

Confira o conteúdo do vídeo na íntegra, disponível em:

Tratamento

Na maioria dos casos, pode-se notar a presença de neuropsiquiatras, neuropediatras e neurologistas.

Contudo, profissionais de outras áreas também são imprescindíveis para reforçar o tratamento: psicólogos, fonoaudiólogos, psicomotricistas, entre outros.

Quanto aos medicamentos, em destaque, estão os psicoestimulantes. Sua função é fornecer estímulos às atividades e promover maior atenção à pessoa em suas funções.

Terapia comportamental é bastante recomendado. E também, há grupos de apoio que servem não só para a pessoa com o TDAH, mas para os familiares também.

Nas reuniões realizadas, algum profissional da saúde passa informações relacionadas aos sintomas e às maneiras que se têm para lidar com os desafios e outras etapas do tratamento.

Disponível em:

TDAH – Sintomas e Tratamento

Qual é o lado bom do TDAH?

Quando tratado da maneira adequada, o TDAH pode trazer certos benefícios para o indivíduo. Muitas pessoas com o diagnóstico, desenvolvem diferentes estratégias de autoconhecimento e enfrentamento.

Criatividade: Esse turbilhão de coisas que passa pela cabeça do portador de TDAH possibilita que este gere mais ideias brilhantes do que o comum, e isso tende a ser ainda mais proveitoso quando em tratamento, pois há um direcionamento melhor de toda essa fonte criativa!

Mente aberta a novas experiências: O TDAH não consegue passar muito tempo em uma atividade só, então já tem uma predisposição acentuada a abraçar novidades de mundo, de todos os tipos.

Sensibilidade: geralmente quem tem TDAH tende a ter comportamento afetuoso, generosidade e maior sensibilidade.

Flexibilidade: o TDAH tende a ser mais flexível, pois seus deslizes – gerados por esquecimentos, pequenos erros e etc – o fazem tem que lidar com situações inusitadas e ter que resolve-la de maneira sagaz. O mesmo acontece devido à dificuldade de cumprir atividades em prazos e ter que se virar pra fazer tudo em prazos estritos, e pela predisposição a novidades (que acarretam em mudanças e exigem flexibilidade também).

Persistência: pelo número de pequenas falhas que o TDAH comete em alguns tipos de situação, o portador acaba desenvolvendo um pouco mais de persistência, necessária para conseguir alcançar alguns objetivos que necessitam de funções afetadas pelo transtorno.

Energia: no caso de hiperativos, a energia também pode ser um ponto positivo (quando bem direcionada), provendo maior gás para aguentar situações que exigem maior nível energético.

Inteligência: há uma incidência relativamente alta de portadores de TDAH com altas habilidades devido à todo turbilhão de ideias e energia bem direcionados. Nem sempre a inteligência que menciono será a lógico-matemática, mas destaca o portador em diversas atividades que utilizam das modalidades que o indivíduo possui.

Disponível em:

Pontos positivos de TDAH

O autoconhecimento

Desconhecer o que se passa em sua própria mente, pode te fazer refém de si mesmo. Pessoas com TDAH e outros transtornos, frequentemente acabam sofrendo por vários anos sem saber que a sua situação pode ser tratada.

Você pode viver com o TDAH de uma forma saudável e tranquila. Não engula os seus sentimentos e nem varre-os para debaixo do tapete. Falar sobre o que estamos sentindo, geralmente é uma boa maneira de fazer com que os outro nos entendam.

Se você se sidentificou com os sintomas citados, saiba que não está sozinho. Procure um profissional terapeuta e dê uma chance para não ser controlado por este transtorno.

“Todo mundo é um gênio. Mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a vida acreditando que é estúpido.”

Albert Einstein

Na internet é possível realizar diversos testes que nos ajudam a perceber os sintomas em nossa vida. Lembrando que definitivamente o diagnóstico é somente por um profissional qualificado.

Link para o teste:

Teste de TDAH

Por Ana Luz Borges, para Revista Society

Imagem: https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:TDAH_Thought_Bubble.svg

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